terça-feira, 23 de dezembro de 2008

ALIENAÇÃO

Eu não bebo,
A água negra me obriga a bebê-la.
Eu não sinto
Eu não fumo
Eu não decido
Eu não visto
Sou ludibriado e controlado.
Eu faço, mas não me faço
Eu escuto, mas não me escuto
Eu rezo, mas não sou louvado
Eu consumo e sou consumido
Sou livre para ser oprimido
Eu satisfaço outrem, mas sou eunuco.
Eu trabalho,
Eu construo,
Eu produzo,
Só que a obra não me pertence.
Eu não me pertenço!
Eu sou aquilo que quero ser
Subserviente as imposições alheias.

Eu tenho um valor incomensurável,
Mas sou mercadoria barata.
Para que lutar, relutar, revoltar, revolucionar
Se posso assistir TV e vê o visto.

Maldito seja o canto da serei
Feitiço dos novos tempos
Que coisificou o ser
E reificou a existência.

Eu não vivo,
A vida me obriga a vivê-la.


(Di Resende 06/03/08)

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