A formiga escala a parede branca como papel
O seu rastro escreve um caminho de aroma e solidão
Esta perdida na imensidão rasa do branco profundo
Que por mais que se caminhe
Não se chega a lugar nenhum
Não se mata a saudade
Não se escreve coisa alguma.
Mas persistentemente ela caminha a escrever
Um poema que nunca será lido ou sentido
No ziguezaguear de frenesi e excitação
Ela escreve suas metáforas como indicação
De uma vida que teima em ser vivida.
O formigueiro já está distante
Do mel já não senti o sabor
Da prole se desgarrou
Sem saber que jamais poderia se libertar.
As palpitações já não são constantes
Já não é constante o seu amor.
Oh ermo inseto, por que teimas em andar
Por um destino de dissabor?
No deserto dessa parede pálida e vertical
As frases são escritas ao longitudinal
Tu és um ponto preto de inquietação
Pra cima, pra baixo, pro lado, pro outro
Tudo é igual ao desgosto
De escrever sem inspiração.
(Di Resende 24/03/2008 00:40)

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