Não se pode falar com as pedras,
Quando elas não lhe dão ouvidos.
Não se pode efervescer ardentemente contra o mundo,
Quando o mesmo tem artifícios devastadores e você apenas efêmeros fósforos.
Não se pode transmutar o real,
Quando suas idiossincráticas verdades transfiguraram-se em carpideiras do amanhecer.
Não se pode ter a dadivosa esperança,
Quando todos fazem neurastênicos barulhos desalentadores e só você escutar seu brando silêncio a esgueirar pela suas mãos.
Não se pode ser renovado pelo prazer,
Quando suas veemências são tidas como vãs, distantes e lacônicas.
Não se pode dar sentido a vida,
Quando a mesma desnuda-se de toda acepção, para ser contingência pura.
Não se pode viver a contingência pura,
Quando solapam a frustração da imaginação libertadora.
Não se pode entrega-se ao ocaso suicida,
Quando se é racional ou insano suficiente para tê-lo como lógica irrefutável.
Não se pode ser verdadeiramente humano,
Quando a ambígua razão se torna imperatriz da mente e do coração.
Não se pode ver a liberdade cabal,
Enquanto não se esvair o mercado, a burguesia e o proletariado.
Não se pode amar indefinivelmente,
Enquanto o amor não logra vitória sobre o supérfluo e mergulhar nos flancos profundos dos abismos da alma.
Não se pode ver a iminente justiça desnuda,
Enquanto sua ação caustica for ordenada por sua cegueira que não descrimina malfazejos de bem-aventurados, e sua piedade se equivaler ao principio da omissão; pois sua espada perdeu seu fio amolado e sua balança o equilíbrio.
Não se pode entender o mundo exuberante e lúbrico do poético,
Enquanto não se conhecer a onipotência arrebatadora e volúvel dos circunlóquios.
Aprenderas com o prato dos inocentes ou com o desvanecer etílico de seu devir, ou não aprenderas.
(Di Resende 23/04/2008 12:01)

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