Talvez eu seja um poste,
Rígido e ereto
Plantado no chão
Que me sustenta.
Indiferente as variações climatológicas
Sou sustentáculo e via
De todo tipo de fio
Que vem dos longínquos mais incógnitos
E que tem em mim sua passagem.
Simples fios,
Fios de watt de potência
Que iluminam e ofuscam,
Fios que falam
De uma realidade que não é a minha
Mas uma realidade latente e viva.
Concomitantemente sou fixo e passadiço,
Não poderia ser transitório
Se não estive cravado na massa
Informe e mórbida da esfera armilar.
Na minha extremidade tem uma luz
Que talvez ilumine os transeuntes,
Mas apenas talvez.
Talvez eu seja frio e tenaz
Carente de um sentimento
Que passa por mim
Mas não me habita.
Talvez eu seja apenas um Poste
Enrijecido, tíbio, insípido e triste.
( DiResende 17/02 /2008)
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