sábado, 3 de janeiro de 2009

Concupiscência

Se não há prazer não há vida.
Quero viver como homem
amar como homem
ser limitado como homem
mas não quero ser escravo
nem deus de uma seita dogmática.

Não quero ser castrado, esterilizado ou circuncidado
perder meu prepúcio por achar que é pecado
viver do desejo ao hedonismo
mastigar e cuspir injurias de libido
do fluxo e influxo regozijar
com o simples prazer de ter um invólucro
no meu falo e na sua vagina
sulco aquoso e escuro de satisfação
dos seios embebidos em doce saliva e suor salgado
da transpiração gemidos
em meio a dança dos corpos celestes
no dorso da terra a gota que humedece o existir
fazendo germinar o homem dentro de mim
e que estagnam os últimos convalescestes
e humilham os orgulhosos.

Torna-me homem de pelos pubianos e cheiro de cio
Num elo sincrônico de fecundidade viril.
É a ereção que me faz homem virtuoso
e te faz mulher violentada, extasiada, amada;
simples fervilhar de sangue em minhas artérias
mordida na nunca lambida na orelha
a anárquica luxuria me consome, lhe consome
mas tudo é revelado na intrínseca ejaculação
de múltiplos gozos indeléveis
e de arrebatadora realização.

(DiResende 03/08/2008 08:42)

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