terça-feira, 18 de agosto de 2009

O PERFUME DA ROSA

Me faltam revolveis para
Acabar com este mal intrínseco e sórdido,
Não escuto o estampido distante
De disparo esvoaçado
Porque a ultima bala nunca existiu,
Porem foi certeira e longínqua
Na profundidade mais nevrálgica.
Nem toda cicuta do mundo sanaria
A dor que a perversa existência
Me fustiga a sentir agora.

Não sabia que a sinceridade
Era acrimônia e tinha o gosto de fel
E que fazia doer tanto. Ou será
Que não estou sendo sincero
Com os meus sentimentos?

Agora estou temeroso.
Uma onda de horror deságua
Na minha espinha dorsal
E se aloja na minha nuca.
O coração se fez em
Claustrofóbico aprisionando numa
Salita miúda e escura chamada
Desespero.

Estou certo que esta noite não,
Pois me falta revolveis e coragem
Contudo me sobra a angustia
Mais tenaz da alma depressiva,
Só porque esta noite
Deixastes de ser minha e
Como miragem nos olhos
de beduíno sedento, se desfez
na própria ótica.

Eu fui pra ti a mais lancinante
Quimera, que agora se transmuta
Em Cérbero que dos portões do inferno
Derrama seu putrefato bafo em
Suas lembranças malditas e
Despedaçadas desilusões.

Esbravejo ao lato:
- Me apunhalem!!!
- Me apunhalem, vis mortais!!!
Mas nada me acontece nesta noite
Pois Calisto já foi sacrificada.

Não há punhal, nem adaga e nem mão
Para apunhalar esta estúpida dor
Que deveras sente e que brota do amor
Essa flor roxa de amargura devassa.

Corte-me os dedos, a língua, as glândulas
Mas não me roube esta flor que
Em outrora era alva e pura, e que agora
Já sinto de forma contundente a sua falta.
O amor é este risco tenebroso de ter o que Não é seu e que sempre perdemos, sedo o Tarde, e nem todo o lamento do mundo
Fará revive-lo no presente.

Meu olfato audaz sente cheiro de rosas,
As rosas do sepulcro tem o seu perfume.

Diresende 14/08/2009 10:46

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