mas onde estão os papeis
passivos a serem escritos?
Em vão procurei desesperadamente por eles
e a guisar não os encontrei.
Tenho apenas um lápis
e uma parede áspera
impossível de ser grafada.
Mas algo me leva a escrever.
E escrevei...!
Nem que seja na minha epiderme
com rubro sangue das virgem martirizadas.
E nela, por mas que não se veja
a minha tosca caligrafia,
sempre estará camuflada
na profundidade sensível da carne
a imagem estigmatizada
de teus cabelos sedosos e escuros,
de teu olhar abrasador,
de teus lábios delicados e luxuriosos,
de teu tenro cheiro de flor.
Estais agora a repousar em minha pele morena
papel vivo e inexorável
porém, desde outrora habitastes
em minha gênese volátil.
(Di Resende 04/06/2008 21:10)

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