quinta-feira, 8 de outubro de 2009

TELEVISÃO

Do que vale escutar-la
se suas vozes são abafadas pelo medo,
são mórbidas de indiferença,
são aguilhoadas de mesquinhez
daqueles que perderam a utopia
e foram subjugados pela barbárie.

Ah, vozes que nada dizem
proveniente desse vidro coagido
ao afirmar a inércia
da bestialidade de que
é melhor ter do que ser.

Não hei de ti escutar
malevolentes vozes pós-modernas
pois minha consciência grita de dor,
os livros gritam de possibilidades,
o tempo grita de pressa,
os humildes gritam de revolta,
a vida grita de esperança.
Eu não hei de ti escutar
vozes vendidas
que afirmam o nada mudar.

Nesse espelho deplorável
me deparo despedaçado
vendo a intrínseca contradição:
Conformismo e Inquietação,
Alienação e Protesto,
Crise e Abundancia,
Riqueza e Miséria,
Descontentamento e Carnaval,
Nesse emaranhado mercadológico de monodiversidade.

Ver?!!!
O que vejo para além dessa tela LCD
é a pura dialética.
Salve a contradição da contradição
que desencadeia as mudanças.
Sendo que toda mudança é sentida
no bojo social.

O que sinto
não vem desse hibrido simulacro
a serviço do capital
de sinais eletromagnéticos
reluzente como ouro de tolo
e asquerosa libidinagem.

Sinto agora
de forma indelével
toda indignação crescente e viva
no inconsciente coletivo.
A revolução esta cada vez
mais próxima e em todo canto
como em outrora foi profetizada
pelo barbudo alemão.
Estou certo que ela não será
Vermelha ou verde,
Branca ou Negra,
mas Multicolorida
e anunciada na TV.


Daniel Andrade Resende
13/09/09

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